Reticências

marcam uma suspensão da frase, muitas vezes a elementos de natureza emocional. Indica um pensamento ou ideia que ficou por terminar e que transmite a omissão de algo que podia ser escrito, mas que não é. (...)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Teresina, 15 a 23 de janeiro de 2011



Morty,

Deixa eu te contar uma história. Há muito tempo atrás, em um colégio existiam duas meninas-amigas que deixaram de se falar por um ano. Elas eram melhores amigas. Um longo ano. De observações de longe. De cochichos de perto. De atitudes infantis, de certo, elas eram realmente apenas crianças. Elas voltaram a se falar por conta de uma borracha que caiu. Uma apanhou e a outra agradeceu. Depois desse gesto, as coisas voltaram a ser como sempre foram, não do dia pro outro, mas o tempo ruim foi simplesmente sendo esquecido. E hoje elas são amigas, mesmo com a distância das suas vidas. São amigas presentes mesmo com  a ausência. Elas ainda são amigas. E vai ser assim até o fim da vida.
Já perdi peso por muita coisa, mas por causa de uma briga com um amigo, foi a primeira vez. Tu vê o prejuízo que me causou? Aquelas gramas, quase quilos que eu ganhei com tanto esforço, eu perdi em um estalar de dedos. Foi a semana mais vazia que já tive. Só em pensar que não podia te procurar, te chamar, contar contigo. Que eu não podia saber onde eu errei. Meu chão caiu, meus pés tocaram o nada. Se era assim que queria, assim seria. 
Nesses dias tristes, eu li uma novela de Caio Fernando Abreu, onde ele recitava Ferreira Gullar:
"Amigos morrem,
as ruas morrem,
as casas morrem, 
os homens se amparam em retratos.
Ou no coração dos outros homens."
Foram versos com os quais eu me identifiquei. Perdoe-me repetir, mas um amigo meu se matou naquela hora e não eu, quem o assassinou? E em qual coração eu ia me amparar, senão o seu?
E esse orgulho besta que o ser humano insiste em carregar? E essa mania de querer provar que não está errado? Ei, eu errei. Errei por ter feito tempestade em copo d'água. Errei por não ter pedido perdão e por não ter perdoado.
Mas não vou mais ao fundo dessa história que a gente que passou por ela sabe muito bem e que eu quero enterrar, que eu quero por um fim. Por favor, não na nossa. Mas nessa outra que nem deveria ter começado.
Eu nunca senti tanta culpa e saudade junta. Uma semana já foi difícil demais pra mim, não suportaria imaginar um ano. Volta a cuidar de mim, como você sempre fez?


Me deixa te abraçar, 

Jéssica.

Um comentário:

  1. ôti nenem! *-*

    Shrek: - Bem, se eu te tratei tão mal, como é que você voltou?

    Burro: - Porque é isso que os amigos fazem. Eles perdoam uns aos outros.


    COISAS LINDAS =D

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